Querido Pastor, escrevi este texto após ouvir, de um jovem pastor, que (mesmo eu tendo a certeza de estar fazendo a vontade de Deus), por eu estar utilizando o meu trabalho para testemunhar e falar a respeito do Senhor num ambiente mundano eu estaria contribuindo para o reino de satanás... Fiquei triste pela postura daquele pastor, ainda mais porque se eu tivesse dado ouvidos a ele jamais teria ganhado uma alma pra Cristo naquele lugar e visto mudanças no comportamento de muitos, numa clara demonstração de que a semente fora plantada... Hoje resolvi compartilhar com isso com o senhor.
Um abraço.
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Era uma manhã de segunda feira. Cansada, voltando de um show em Alagoas, enquanto o ônibus da banda vencia o asfalto eu pensava no sentido de algumas coisas da vida.
Sentindo-me espremida entre essa realidade experimentada e uma outra que gostaria de estar vivenciando, comecei a conversar com Deus à medida que analisava o ambiente ao meu redor, pensava no papel da igreja enquanto representante de Deus na terra e ouvia o assunto borbulhante que escapava dos músicos eufóricos.
Pensei que a decadência espiritual e a degradação moral do ser humano passam obrigatoriamente também por um processo ativo de deseducação e é impressionante ver como homens e mulheres, num contexto coletivo, perdem a própria individualidade para assumir a personalidade do grupo, que se bestializa por não praticar a busca da espiritualidade correta, a saber: a sã doutrina da Palavra de Deus.
Percebi que dentro desse contexto de viagens e shows, de convívio com pessoas de todo o tipo e (sem) cultura, a gente vê bem a cara de quem se encontra longe de Deus: linguagem chula, palavrões, risadagem, gritaria, falta de respeito com a individualidade alheia, egoísmo, falsidade, arrogância, vaidade, falta de ética e auto-engano.
Os olhos, janelas da alma, almejam e levam a cobiça para dentro do coração, que maquina novas formas de prostituição do espírito e consequentemente do corpo. O ventre comanda a cabeça, que não entende e o futuro latente lateja e jaz à porta escancarada para o pecado.
Senhor, a quem enviarás...? Meu coração às vezes chega a doer ante essa realidade vivenciada e o contraste das fartas mesas espirituais postas dentro das igrejas, que muitas vezes são desprezadas pelos fiéis. O mundo se dana sem ver Jesus na vida de crentes chatos e enfarruscados enquanto, dentro dos salões cada vez mais chiques dos templos informatizados, as pessoas se acham "assim com Deus" e parece que "tanto faz como tanto fez" que – agora falando especificamente com relação à classe que talvez mais precise de Deus – o artista ou músico vá pro inferno – como diz a letra da canção.
O inegável é que músico crente e profissional que precisa trabalhar "no mundo", como eu precisei, sofre duas vezes. Não compartilha nem compactua com o modus vivendi de sua "classe" e em contrapartida não encontra amparo na igreja. Sendo luz, fica exposto às artimanhas das trevas e quase sempre não encontra subsídio no "corpo" de Cristo. Se imaturo, será engolido e humilhado na sua fraqueza tornando-se presa fácil de satanás.
Mas, 'inda bem que quando é sal, salga. Quando é luz, alumia. E faz a diferença. Tenho observado que Pastores têm medo de perderem seus fiéis músicos e acham melhor proibir suas atividades porque seus ensinos, na maioria das vezes, só produzem fósforos: acendem, contudo, a pouca luz que brilha dura apenas na proporção do tamanho do palito e logo sucumbe.
Entretanto, a luz que vem do Pai das luzes, em quem não há sombra de variação, não se apaga. Antes, mostra o caminho – que é Jesus – aos que vivem cegos na escuridão do pecado. E brilha. Sem arrogância. É como espelho refletindo a mansidão de seu Senhor.
Clamo a Deus e espero o dia em que verei nossos lideres, unânimes, darem suporte àqueles que, atendendo ao ide de Jesus, se dispuseram a levar o evangelho A TODA CRIATURA, sem esquecer que isso inclui o músico. Espero ver a Igreja realmente aberta aos pecadores, não sendo excludente nem insensível àqueles que se encontram prostrados na aridez do pecado, pois assim como o médico vem para os doentes, a água da vida é para os que têm sede.
Então, que o músico evangélico seja de fato preparado para o campo missionário, pois só ele tem acesso e pode falar com toda propriedade à sua classe e aquele que tem compromisso com Deus, mostre por meio de seu talento e de sua vida que JESUS CRISTO É O ÚNICO CAMINHO.
De minha parte, preferiria sempre estar dentro do templo, com minha família e amigos, pois, com certeza, é bem mais cômodo... Aliás, os de hoje são até climatizados... Alguns parecem até fachada de loja de shopping Center!
Mas, se Deus me levou para testemunhar lá fora, então obedecerei. Mesmo recebendo pedradas de quem não compreende a vontade de Deus e julga sem nenhum temor. Entendo que Deus vê todas as coisas e sabe a quem designar. Portanto, se essa for a Sua vontade, Senhor, sempre que quiser, envia-me a mim!
O meu desejo é que Deus levante pessoas para orar pelos músicos da igreja; que orem pela conversão de cantores e músicos não-evangélicos, formadores e influenciadores de opinião.
Oremos ao Senhor para que Ele levante gente a fim de que a Santa Palavra do evangelho de Jesus seja levada a estas pessoas sensíveis e tão carentes de Deus, que por força do trabalho, às vezes, não encontram dia para ir a uma igreja. Orem. Ajudem a tirá-los do largo caminho do inferno e encontrar a porta estreita que leva à vida eterna.
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