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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tenho andado chateada com essa terra...

Tenho andado chateada com essa terra, cheia de gente enterrada até o talo em corrupções dos mais diversos tipos. O pior é que quanto mais o tempo passa mais me dá uma sensação de impotência, de cansaço de tanto remar contra a maré. E que maré. Parece que nunca está pra peixe. Ultimamente tenho deixado o olho no gato, mas a verdade é que não há muita coisa à mercê do felino. É tempo de escassez. De peixes, metafóricos ou não, de gente boa, de oportunidades. Mas, paradoxalmente, também é tempo de abundância. De desgraças, de dissimulações, de portas fechadas. Em minha cidade, em bom matutês, há abundância de "fartura". "Farta" tanta coisa...

O engraçado é que, volta e meia, as coisas se repetem. Não vou nem mencionar os velhos políticos em suas mesmices a cada folhinha vencida. "Os que acham bestas não compram cavalos", diz a sabedoria no adágio. O que mais me incomoda é o comportamento de alguns que, somados a outros, se transformam em maioria. Inércia. É... Estou me referindo ao bom e velho povo. Mas o que mais me dói, parafraseando a canção mofada, "O que mais me dói, mas o que mais me dói: você escolheu errado seu super herói". E isso é recorrente!

Mas, por falar em herói, hoje, pinta uma heroína no cenário. Uma jovem de apenas 26 anos que teve a coragem de enfrentar algumas pessoas que estão no poder, mas que não tem a boa vontade de fazer nada por ninguém além de seus pares.

Que bom que tem gente viva, ainda. Que não se acomoda. Eu participei de um movimento acadêmico com Amanda Gurgel, ou Amandinha, como nós a chamávamos carinhosamente, por causa de sua altura. Mas que disse que tamanho é documento? Diante de Golias, todos os que representam um sistema que massacra o trabalhador, a menina também se agigantou! Foi lá e calou a boca daqueles que deveriam falar e fazer pela nação, mas que preferem aquela postura de malandro dono de bagulho pego com a mão na botija, que vai logo se esquivando e jurando "isso não é meu, não sou eu o responsável". E assim, um empurra para o outro a obrigação de fazer algo. Mas, se eles agem como se as mazelas sociais não fossem problema deles, de quem é então? Se a gente os elege para nos representar? Para trabalhar em prol de uma sociedade melhor?

E quanto à questão crucial que enerva a todos os seres viventes, já que os donos do poder alegam não ter dinheiro pra dar salários dignos ao povo, eles deveriam se dispor à diminuição do deles para que seja possível o aumento dos outros! Segundo Amanda denunciou, o salário de um só equivale ao de 30 professores! Isso tem de ser revisto. Sim, porque os caras vão trabalhar quando querem, não batem ponto, tem regalias diversas e ainda quando você precisa falar com algum é mais fácil morrer e falar com Jesus Cristo, em pessoa, lá nos portais do Paraíso.

O povo precisa entender o poder que tem. O emprego deles é a gente que dá. Mas a postura deles é de que são patrões e a gente, mendigos que precisam e que por isso tem de se sujeitar àquelas humilhações de, por exemplo, na hora em que se procura falar com algum, ou fazer uma reivindicação de alguma coisa, ter de passar por três ou quatro assessores, cuja função é ganhar dinheiro à custa de você que votou no amigo dele, e que por isso ele tá ali, só pra ser entrave entre você e o tal político que você elegeu e hoje não te conhece nem te recebe mais.

Quanto às profissões, só há médico, advogado, jornalista, e alguns políticos, porque houve professor. Então, minha pergunta é simples e direta: porque um político, que não trabalha mais do que um professor nem é mais importante que ele, precisa ganhar um absurdo e existe dinheiro pra isso, mas pra pagar um salário digno, pra quem realmente trabalha, não tem?

Penso que o povo deveria questionar e pressionar para que algo fosse feito. Aliás, vou mais além. Será que se esses cargos, disputados tão ferrenhamente por muitos, não fossem remunerados esses mesmos caras, que se dizem loucos pra trabalhar pelo povo, iriam se submeter a alguma eleição?

Por que não é possível que eles diminuam seus ganhos em prol de uma melhoria coletiva? E o que é pior! É um absurdo que sejam eles a votarem seus próprios salários. O povo é quem deveria votar o tanto que eles deveriam receber e a periodicidade de eventuais aumentos.

Segundo a Constituição Federal, todo poder emana do povo que o exerce através de seus representantes, então, de novo a minha pergunta, o povo não pode exigir desses representantes que diminuam o que é exorbitante em nome de uma igualdade, que é algo bem mais justo? Além de altos salários, ainda auxílio moradia, paletó, transporte; nem as cartas que enviam esses caras pagam...

Enquanto o povo sofre na lama e desce buracos a fora. Sim, porque, Natal está numa situação burocrática e "buracrítica" que os "buracráticos" não querem resolver. São buracos no asfalto, buracos em nosso orçamento e a alma esburacada sem enxergar solução alguma. A cena é até bucólica... A borboleta matreira se refestela no néctar de uma rosa ainda descorada que está plantada num buraco do povo. É por isso, tenho andado chateada com essa terra, cheia de gente enterrada em buracos sem fim... E viva Amanda Gurgel! Oxalá apareça mais e frutifique em todos os segmentos de nossa sociedade sempre tão apática.