Uma canção com poesia, que faça o menino dormir e o homem acordar...

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Chora Coração!

O cantor Wando hoje se cala e deixa sem voz uma multidão de fãs, que cantaram suas músicas e tiveram suas letras como porta voz de emoções. Aos 66 anos, em decorrência de uma parada cardíaca, ele se vai... Deixando choroso o coração do Brasil.
Hoje, prestamos um singela homenagem a este menestrel popular cujas canções que gravou se tornaram verdadeiros clássicos de um público que não tinha medo nem vergonha de ser assumidademente feliz, mesmo que muitos os apontasse como bregas. Aqui, a letra de uma das mais lindas canções dele e que também foi tema da novela Roque Santeiro, da Rede Globo.
Um amor quando se vai,
Deixa a marca da paixão
Feito cio de uma loba
Feito uivo de um cão,
É feitiço que não sai,
Dilacera o coração.
É um nó que não desmancha,
É viver sem ter razão

Chora coração, chora coração,
Passarinho na gaiola, feito gente na prisão

É um jeito de querer
É pecado sem perdão,
É espinho que só dói
Quando põe o pé no chão
É o galho que se dobra
Sob o corte do facão,
é o mar que sai dos olhos
Pra banhar a solidão
Descanse em Paz, poeta. Você que viveu a vida (ui)Wando de paixão...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

ASPIRAÇÕES DE UMA NARINA... – LEMBRANÇAS DE SOFRER

Na minha vida de vocalista, já passei por muitas coisas boas e não tão boas assim. Estou pensando em começar a compilar algumas reminiscências e, a exemplo de Adriane Galisteu e Paulo Coelho, compartilhar com quem tenha tempo a perder algo tipo: O caminho das lagartixas ou O Diário de um Magote (retratos de um magote de músico sofredor). E, de maneira metafórica, narrar algumas agruras que vivi quando estive perto de estranhas estrelas na estreita estrada dos extremos: ascensão e decadência. Ou não.
Isso, que vou compartilhar agora, foi há alguns anos, no Reino encantado de Latan. E hoje habita apenas o subconsciente. É certo que na hora a gente sente e extravasa como pode, mas... Nossa! Isso pareceu até letra de pagode! Entretanto, tudo aconteceu como está escrito. Aviso que aquilo que leitor compreender e que o remeta a alguma pessoa conhecida, terá sido mera coincidência. Tenham paciência, pois isto é virtude. Perseverem. Vão até o fim.
Foi assim...
Depois de uma semana de intensa labuta, eu realmente fiquei frágil demais...
Mas comecemos do princípio. No princípio era a deusa e a verba estava com ela. E havia travas sob a face abismada. E disse a deusa: haja ensaio! E houve ensaio. E foi a quinta à noite o primeiro dia...
Mas, tinha uma homônima no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma homônima. Era, assim, o princípio das dores. Ao chegar ao pretenso estúdio de ensaio, qual não foi o espanto quando descobrimos que a tarde inteira consagrada à deusa fora em vão. Não haveria o ensaio da estrela em ascensão... aquela a quem Dorinha, a minha manicura, batizou singelamente seu sobrenome de Eulália. É que o nome árabe soava estranho aos seus ouvidos semi letrados e brasileiríssimos, então ela, que sempre fora dada a novelas mexicanas, fez a junção um tanto quanto popular.
Essa pequena digressão é apenas para sublimar a raiva que a minha homônima desmemoriada me fez sentir ao esquecer de avisar-nos que não haveria o tal ensaio. Mas prossigamos. E foi a sexta à noite o segundo dia...
No pretenso estúdio de ensaio, tivemos que agüentar a dona que, pelo visto, tinha um espírito de paparazzi uma vez que não parava de tirar fotos e, pior! Queria a todo custo nos pegar desprevenidas, pois, segundo ela mesma, melhor era o mais natural possível. Eu tentei avisar que odeio tirar fotos, mas ela era obstinada e persistiu no seu intento. Eu como sou uma pessoa meiga, gentil, educada e legal... E haja careta.
No ensaio daquela noite, de cara, descobrimos que iríamos fazer umas... Como explicarei...!?!?! fazer como se fosse mímica... isso! Não chegava a ser uma dublagem, pois a ordem era pra cantar por cima do som que o músico, com cabelo de Papai Noel fora de época, soltava do computador. Para nós, mortais tudo estava muito esquisito, mas tinha lá um cara a Spielberg que jurava de pé junto e de pé separado que aquilo era a última moda no país de Bush. Eu fiquei ressabiada, confesso. Porém, como até meu inglês é ali de Parnamirim...
E foi o sábado à noite o terceiro dia... Mas tivemos de ir balançar no A, no B e no C e não pudemos ir ao Olimpo; aliás, ainda não conseguimos saber o que é mais incongruente: se noite em que se adocica ou dia–Beth. Mas isso é outra estória que depois eu conto.
E foi o domingo à noite o quarto dia... E o ensaio ia de tudo quanto é jeito. Até alta madrugada. O pianista importado comia de três em três horas. Pizza era o prato. A portuguesa, sem cebolas. Eu adoro cebolas na minha pizza preferida, mas meu sobrenome não é marca de máquina de datilografia... Comi assim mesmo. Pobre é uma raça que se adapta a tudo. Lamarck e Darwin ficariam impressionados.
E foi a segunda à noite o quinto dia... A trindade mista resolveu que o ensaio seria no próprio palácio – o dos esportes. E foi. A ordem ariana era para que todos viessem com suas roupas como se fosse na hora do show porque iria haver uma filmagem e sairíamos num telão. Era para ver as falhas. Até aí tudo bem, mas na hora h o que falhou mesmo foi a voz. No vigésimo compasso, o agudo deu um passo – em falso e tropeçou. A fé não era fraca, mas a nota foi e a isso a força do amor não deu jeito. A deusa riu. O maestro nem olhou. Nós, as Calistas, ficamos passadas. Não Eram os deuses imortais – como já dizia o filme.
A deusa contente entrou num embate com o pedestal. Não é um trocadilho, não! O que fazer com o maldito pedestal que sem o microfone que estava em suas mãos não tinha serventia, mas que atrapalhava a performance no vestido rosa? – a propósito, que tanto que foi esse que eu utilizei aí nesse período...?!? É que só de lembrar, meus neurônios se contorcem. Mas tudo bem, vamos lá! Continuemos...
Troca de roupa aqui, troca de roupa ali (e que roupas!) e a hora ia coisando e todo mundo já estava ficando coisado, mas a cantora nem se importava. Roda pra cá, roda pra lá, risos e roupas e o ensaio que era bom, necas! Como os deuses, provavelmente, não têm fome, o pai vaticinou: nem só de pizza viverá o músico. E, naquela noite, o verbo não se fez carne, ou melhor, a verba não se fez pizza. Então, quem quis, pagou do próprio bolso um sanduíche ou qualquer aplacador de fome.
Muuuiiiiito depois da meia-noite, as músicas começaram a soar. E aí foi nessa hora que descobrimos um item que faltou na música de trabalho: mulheres gostam de silêncio! Principalmente àquela hora da madrugada. A cantora ainda tentou um one last cry, mas se a deusa tinha o amor, o guarda tinha o poder. Fez-se silêncio. E eu me maquiei a toa. Nem filmagem, nem telão, nem pizza, nem ensaio. O tempo que ela perdeu com o pedestal teria sido suficiente para ensaiar duas vezes... antes do infeliz do guarda, ou será que eu deveria dizer... santo guarda...!?!
Enfim, escapamos. Voltamos para casa com fome, cansadas, cheias de dúvidas de última hora, mas maquiadas. Pense! Vou passar pelo menos uma semana sem querer ouvir conselhos do tipo "não fique triste eu sei que o plano não era assim" ou "tudo serve como experiência". Foi desse último jeito que tentamos nos auto-enganar. O problema é que somos muito espertas...
Respeitável público, e foi a terça à noite o sexto dia...
E a frente do palácio estava cheia... de pipoqueiros. Tinha para todos: as de microondas, em saquinhos, crocantes e macias. A noite estava harmônica. Pobres e ricos unidos por um bem comum: prestigiar a mais nova estrela natalense. Percebi que os pobrinhos são bem mais alegres e tão boquiabertos estavam com o aparato do espetáculo que nem notaram a falta de graxa no elevador que emperrou um pouco na descida quase deixando a deusa atrepada lá no alto... Ela, entretanto, não perdeu a pose e, tirando os leves pulinhos causados na descida – certamente, pela ferrugem da parafernália – estava muito segura de si. Para não correr o risco de repetir a mesma falha do ensaio, tratou de mudar o agudo daquela música para uma nota mais companheira. A voz era a mesma, mas os vestidos... Foram seis ao todo.
E foi a quarta à noite o sétimo dia... grrrrr!!!
Novamente a minha homônima entrou em ação. Aposto que já estavam sentindo a falta dela até aqui, não? Pois bem: me fez convidar Deus e o mundo confiando em uns convites a que tínhamos direito e na hora do vamo vê, divinha!?! Não conseguia se lembrar onde os tinha deixado. Resultado: passei por uma vergonha de graça porque minha homônima nunca sabe de nada e eu agora sei que não posso confiar em pessoas ligeirinhas demais. Carroça barulhenta que se locomove a mil sinaliza que pouca coisa carrega...
O resto da noite talvez não valha nem a pena relatar. Mas... tá! Lá vai. Para completar a minha noite de estréia como vocalista virtual, deixaram um conterrâneo de Fernandinho Beira-Mar travestido de street dancer encarregado de apresentar a banda e o famigerado, no exato momento de nos apresentar ao público de pobrinhos ululantes e alegres e de riquinhos contidos, pulou essa parte. Apresentou a todos, menos as Calistas. Aí foi que eu fiquei virtual.
Não bastasse quase tudo ali sair do pró-tools, o patrício de Rosinha Garotinho vendo a minha matéria creu na metafísica do corpo e pensou: ser ou não ser. Não foi. Não fomos apresentadas. Era filosofia demais para minha cabeça e a única conclusão a que cheguei foi que houve uma sobrecarga na CPU do moçoilo. Pensar e dançar podem até dar certo na rima, mas não na cabeça de um carioca cujo sufixo do adjetivo pátrio é bem adequado.
Mas, entre sussurros, cadeiras e xotes eletrônicos eu me mantive firme e forte. Depois que descobri que tanto fazia estar ali como não, tirei até meus sapatos. Meu calo gritava mais do que a cantora e como, na presença de uma deusa, ninguém normalmente repara em pé de mortal... Foi a hora em que mais dancei. Qualquer coisa, pensei, digo que além de virtual sou excêntrica, ou que fiz uma promessa, no calo(r) do momento, pra dar sorte. Mas eu estava certa. Ninguém nem...
Bem vou ficando por estas linhas. Teria mais coisas pra dizer, mas já estou ficando meio coisada...
Agora atenção para a agenda. A ninfa já esteve no palácio – o dos esportes, e em breve estará na cidade dos três O. E aqui em primeira mão, eis o próximo passo: rumo à carreira internacional, a cantora, em Gana. Em agradecimento a Bill Gates e à Microsoft.
Pois bem... Como eu dizia bem no comecinho, depois de uma semana de intensa labuta, eu realmente fiquei frágil demais... Mas ainda não vi que era boa a luz de estrelas virtuais, porque nem recebi o faz-me rir, o tutu, o amansa leão, o troco, as onças, o cascalho, o perseguido, o dinda, ou como se chamar aquilo que, na língua de Eulália (isso não tem nada a ver com livro de lingüística), se chama cachê.
E eu não tô nem aí pra aquela música que mandaram a gente cantar no final – aliás, a única que mandaram a gente cantar de verdade – que tem um refrão mentiroso e que não tem nada a ver comigo e com ninguém da trindade, principalmente com o deus-Pai. Eles tão pensando que pobre é burro. Eu quero (meu) dinheiro sim! Virtual só os sussurros e arquejos da deusa. A verba tem que ser real senão, o verbo será...
Ressalto aqui que, como verbo se conjuga, depois de muito penar conseguimos também conjugar a verba que esteve mais para verbete. Mas tudo bem. Como diz a canção, vamos nós "vivendo e aprendendo a jogar".
Tchau. Até a próxima.

Crônica sobre compras - Ah! Os dias de compras...

Dia desses fui às compras. Não fui exatamente o sujeito agente da oração, mas pela primeira vez, achei muito engraçado sair e escolher umas coisas que não estava precisando, ou pelo menos penso que não estava. Entretanto, nunca vou ter a certeza se não precisava mesmo ou foi uma simples tentativa de quebra da rotina do ambiente do guarda-roupa. Pois bem. O certo é que fui, mais para dar assistência a uma pessoa com certa urgência em comprar umas calças – pessoa essa, que eu estimo por demais como vocês constatarão.
Não digo isso á toa. É que tenho um negócio comigo: entendo que ir comprar roupas com alguém é um ato de amor. Ficar andando e escolhendo coisas observando os detalhes para não comprar gato por lebre, aturar o entra-e-sai em lojas que às vezes tem mais vendedores do que clientes e ainda o falso clima de familiaridade daquelas moças de gravatinha tentando esconder a avidez de ganhar mais uma comissão e infinitas outras que nem vou citar, é realmente uma demonstração clara de que alguém na vida, de alguma estranha maneira e mesmo que não explicite em palavras, lhe aprecia.
Assim sendo, como uma pessoa cristã e imbuída do sentimento fraterno que acomete a todos especialmente em períodos como o natalino, fui socorrer a quem me referirei, a partir de agora, apenas como sendo uma pessoa – para evitar especulações sobre quem seria o protagonista do que irei narrar. Desse modo, esse designativo não entrega se a respectiva 'pessoa' é homem ou mulher e muito menos se é alguém que você, que está lendo isso, conhece ou não.
O que é certo é que levei a 'pessoa' para comprar as roupas de que necessitava e foi o começo de uma verdadeira empreitada. É que as lojas de hoje não são mais como as de outrora e os números dos manequins não ajudam muito às pessoas que são... Como irei dizer... Rechonchudas... Um tanto quanto... 'Cheinhas', pra não dizer obesas que, segundo o Jô, é uma palavra pesada demais.
Chegamos. Na primeira loja, prova uma; duas; três; e o vigor do inicio já não é o mesmo. Quatro; cinco; seis; e esperança dá sinal de cansaço. Eu que nem ia comprar nada consegui achar duas peças. Sete; oito e... Finalmente! Uma bermuda, como recompensa pela perseverança.
Já cansadas, mas como a esperança é a última que morre, fomos para outra loja no shoppping da frente. Lá, a procura por calça preta. Primeiro mostruário e nada. No segundo, também não. Não terceiro, até parecia, mas os números teimavam em ser menores. Era um complô. Os estilistas querem o mundo anoréxico. Foi o jeito chamar a moça.
Ela veio. Grrrr!!! Bem magrinha, parecia uma tripa. Não tinha gravatinha, era estagiária. Mas mandou bem, até perguntar à 'pessoa' a quem eu acompanhava: "tem preferência por cor?" – Eu não agüentei. Virei o rosto para o lado e desatei a rir. Àquela altura do campeonato a moça queria saber a preferência pela cor!!! Ora, o feito seria primeiro achar uma que entrasse, o mais... Então, a 'pessoa' respondeu que não, poderia ser qualquer cor. Por certo ou gostava de todas as cores ou não iria diminuir mais ainda suas chances de sucesso em sua malfada noite de compras.
Na ausência de pretas, ela trouxe uma marrom. A cor não era lá essa coisa toda, mas deu! Então, ficou linda! Que cor maravilhosa! Como caia bem. O que me parece é que esse povo pensa que gordo não pode querer usar um pretinho (ou seria um pretão?) básico, sensual. As cores de gordo são sempre marrom, roxo, lilás, ou aquelas cores cítricas que só o muito desespero leva alguém a vestir. Agora entendo porque na rua a gente sempre vê um gordo estampado de bolinha ou bem berrante. Não é mau gosto é falta de opção mesmo.
Pronto. Agarrada àquela relíquia, a 'pessoa' rumou para o caixa contente por não dar a viajem perdida, por completo. Saímos de lá para uma passadinha no terceiro shopping – aquele que nunca tem quase ninguém – mas a única loja destinada aos avantajados estava fechada. É... Gordo é mesmo sem sorte. O jeito é, para usar o trocadilho das cores, fazer que deu tudo marromenos certo. Que foi tudo... Marrom! Para não ficar... Marrom de raiva!!!